A arte da viagem

04/mar | por Deyse Ribeiro

Vou lhes contar uma pequena história. Quando tinha 21 anos fui pela primeira vez ao Louvre, sozinha, me encantei com as esculturas pinturas, com a arquitetura, com tudo. Andava por Paris “olhando pra cima” cada detalhe de uma luminária, de uma arquitetura, de uma estátua na rua me enchia de curiosidade…

Eu vagava, vagava, vagava pelos corredores do Louvre e olhava pra aquelas esculturas e pinturas com um olhar curioso e me perguntava: – o que eles querem representar? que história querem contar? Isso não saia da minha cabeça…

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Bom, eu não tinha uma base artística, nunca tinha estudado arte, história europeia a fundo, e olha que eu estudei em boas escolas (hoje penso, boas mesmo?) e não me lembro de ter falado de Michelangelo na sala de aula!

Essa curiosidade quase infantil se manteve em mim, anos e anos, até que a vida nos põe em caminhos que nem a gente consegue explicar e eu vim parar na Toscana! Viver e respirar renascimento!

A curiosidade olhando o Davi de Michelangelo foi só aumentando até que eu resolvi estudar arte e história!

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Depois desse dia, foi como se me dessem um óculos de grau, como se por todo esse tempo eu fosse míope de 9 graus!!!  Mas na verdade eu não entendia e passei a compreender o que essas pinturas querem dizer, o que as estátuas querem transmitir…

O que eu quero dizer com isso tudo, que  quando os nossos olhos, aprendem a decifrar os pequenos sinais que a arte nos transmite, a beleza dessas obras, deixa de ser só estética, mas significa algo e conta uma história.

O que eu quero dizer que NOS VIAJANTES DESTE MUNDO devemos aprender a ver não só a beleza estética do que está ao nosso redor, das cidades e países que conhecemos. Quando você encontrar a MONALISA no Louvre,  o Davi em Florença, a Torre de Pisa, ou “aquela obra moderna estranha” de Berlim, pare, olhe de perto, de longe, e imagine num ser humano que ficou ali, horas e horas, as vezes dias e anos para compo-la e se pergunte: o que ele quer me dizer? o que significa? o que representa?

Não deixe que a emoção de uma obra passe desapercebida…

Muitos de nos não conseguirão dar repostas as essas perguntas mas é um começo de reflexão!

Lhes estou contando tudo isso para contar que hoje meu trabalho é explicar o que eu não entendia a várias pessoas todos os dias…. muitas não se interessam, muitas estão tão acostumadas com o imediatismo do pc e das tecnologias que precisam de algo que chame a atenção, que aguce ainda mais o interesse… ai eu me lembro…. eu já fui assim! Eu me reconheço em vários rostinhos perdidos!

Até no adolescente que me pergunta no uffizi, quem é Rafael, aquele senhor que diz que nunca entrou num Museu, a jovem professora que me pergunta porque o Batistério é construído fora da Igreja! Me reconheço!!!

Não tenho o mesmo pensamento que muitas das minhas colegas que dizem “mas aquela pessoa não sabia disso!  – Mas esse povo nunca estudou na vida?” , pra eles eu tenho a resposta certa.

Não se nasce sabendo. O ser humano via estimulado a descobrir coisas novas. Uma viagem é muito mais que um bom estímulo.

Uma Viagem é a única coisa que você compra que  te faz mais rico!!!

Por isso lhes dou um precioso conselho. Quando viajarem agucem cada vez mais a sua curiosidade, busquem livros, fale com locais, faça um passeio com quem te conte a história local, e volte pra casa, não so com a mala cheia de presentes, e cheio de fotos, mas também com a mente cheia de pensamentos, emoções e conhecimento!

O mundo ta ai, é um livro aberto, basta que você tenha vontade e paciência de sentar, ler e se emocionar!



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Por Deyse Ribeiro
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