Os doces de Natal na Toscana

10/dez | por Deyse Ribeiro
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Nossa mesa de natal em 2009

Já que estamos na época do Natal e eu amo falar de gastronomia, porque não dividir com vocês mais uma delicia da Toscana, os seus doces natalícios!

A região da Toscana tem muitas delícias natalinas, a província de Siena tem a vantagem de ter muitas opções, que até mesmo fora da época do Natal podem ser encontradas facilmente a venda.

O PANFORTE e o PANPEPATO: O Panpepato é uma espécie de bolo de Natal tradicional, que tem origens muito antigas: os primeiros registros escritos datam do ano mil. Diz-se que o Panforte foi inventado na Idade Média por uma freira preocupado com a saúde dos Siena debilitados para o cerco da cidade. Irmã Berta, este é o nome da freira que prepararou este doce altamente energético, misturando mel, frutas cristalizadas, amêndoas, especiarias e um monte de gengibre. Criou assim o Panpepato, o antessessor do Panforte. Naquela época era chamado de “Pão de Natal”, “Pão aromático” ou “Pão Pepatus”. Na idade Média a preparação era permitida somente as pessoas que faziam parte da Ordem dos Medici Speziali, que eram os farmacêuticos da época, ja que tratava de cascas e frutas cristalizadas (algo raro na época) como laranja, limão e melão, amêndoas e especiarias caras para aquele período, e por isso era destinado exclusivamente para os nobres, os ricos e os clérigos. Com o passar do tempo, o Panpepato não sofreu mudanças importantes, e os ingredientes eram mais ou menos os mesmos, até 1879, o ano em que a rainha Margarita foi em uma visita à cidade de Siena. Para a ocasião, um boticário preparou um bolo sem o melão, mas com uma cobertura de açúcar de baunilha em vez de pimenta preta, o Panforte. Os seneses ofereceram à Rainha como ” Panforte Margherita “, o nome pelo qual este panforte “branco”, mais delicado, é ainda mais conhecido e comercializado na Itália.
Por um tempo se dizia que o Panforte tinha várias virtudes, como ser uma alimento afrodisíaco que, de acordo com os mais velhos, mantinha as famílias unidas e, assim, impedia as brigas entre marido e mulher!!!

RICCIARELLI: é um doce típico de Siena, feito com amêndoas, açúcar e ovos. Eles têm a forma de um grão de arroz, a superfície rugosa e rachada revestido com açúcar em pó e servido sobre uma hóstia. Nascido provavelmente no século XIV nas cortes da Toscana, com o tempo foi ganhando várias versões, hoje a mais famosa é com chocolate. Diz a lenda que foi um cavalheiro, o Ricciardetto Della Gherardesca a introduzir esse doce a corte, trazido no seu retorno das Cruzadas, em seu castelo perto de Volterra. As amêndoas veem trabalhadas tradicionalmente com o moedor e deixada em repouso por dois dias antes de cozinhar. Atualmente eles são apreciados especialmente como bolo de Natal . Eles são consumidos com vinhos doces, em particular com Moscadello di Montalcino Vendemmia Tardiva e com o Vin Santo Toscano.

Foi o primeiro doce italiano a ter o reconhecimento IGP (índicação geográfica protegida), tutelado pela União Europeia, em março de 2010, com o nome Ricciarelli di Siena.

CAVALLUCCI: é um biscoito típico de Siena. Uma mistura composta de uma massa muito consistente, aromatizada com especiarias e enriquecido com nozes. E um doce de origem muito antiga, preparado para ser preservado por muito tempo, e já muito difuso no período de Lorenzo o Magnífico, com o nome de Biriquocol . Os ingredientes típicos são mel, açúcar, farinha de trigo, nozes, especiarias e frutas cristalizadas finas. Com o tempo, tomou o nome de cavallucci, porque era oferecido nas osterias das zonas rurais, especilamente pelos cavalheiros e transeuntes. E servido acompanhado com vinho doce, geralmente inzuppatti, embebidos, em Vin Santo, Vinho Marsala de Pantelleria, Asti Spumante ou Moscato.

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COPATE: são um dos doces de Natal menos conhecidos, mas é uma iguaria.. Também conhecida como cupate (do árabe ” qubbiat “, amêndoa), é um velha especialidade toscana, da região de Siena. Claro ou escuro, há uma base crocante feita a base de mel, nozes e anis e colocada entre duas hóstias. Só para esclarecer,  este não é um derivado do torrone, pois este ha uma mistura de mel e clara de ovo, muito usado em confeitaria durante a Idade Média e utilizado para acompanhar todos os tipos de doces.

Esses são os doces típicos da Toscana, mas na Itália existem vários doces típicos de natal que nos brasileiros usamos muito, são o Panetone e o Pandoro, porém ambos não são de origem Toscana.

Bom Natal a Todos!

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