A história do maior tartufo do mundo e seu caçador

26/out | por Deyse Ribeiro

Conheça a história do maior tartufo do mundo e seu caçador, Arturo Gallerini, que, em 1954, encontrou, junto com o seu cão, um tartufo (trufa) de 2,520 kg.

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Como já escrevi antes, o tartufo em português é trufa, mas, como muita gente confunde com o chocolate, eu prefiro usar o nome em italiano. Se você ainda não sabe o que é a tartufo, ou trufa, e como o caçador o encontra, pode ler os outros textos que já escrevi sobre o assunto aqui:

 Trufas, ou Tartufo: o que é, tipos e onde encontrar
– 
Caça as trufas com uma Guia de Turismo Brasileira
-Trufas, ou Tartufo: o caçador e como encontrá-las

O maior tartufo branco do mundo, o tartufo bianco pregiato (magnatum pico), de 2 quilos 520 gramas, foi encontrado por Arturo Gallerini, no dia 26 de outubro de 1954, e acabou vendido para um comerciante de Alba e dado de presente ao presidente dos Estados Unidos da época, Dwight D. Eisenhower. O tartufo gigante fez a fama da cidade, que não fica na Toscana, mas no Piemonte. Saiba mais sobre essa incrível história!

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Arturo Gallerini

Arturo Gallerini

Hoje, no dia 26 de outubro de 2015, faz 61 anos que Arturo Gallerini, chamado de “Bego”, um morador de San Miniato, encontrou o maior tartufo do mundo. Ele era um agricultor, no seu pequeno terreno plantava, com a mulher, grãos, legumes e uva, mas era também um caçador de tartufo, não gostava muito de procurá-los muito longe da sua terra. Outros caçadores estenderam suas caminhadas fora de San Miniato, andando entre Pisa até a área de Volterra e se hospedavam na casa de algum agricultor. Gallerini estava convencido de que a terra onde vivia era a mais “generosa” e dizia sempre “Questa terra butta e butta bene!”, ou seja, desta terra nasce e nasce bem!

a caderneta

a caderneta

Na sua caderneta,  ele anotava os nomes de lugares mais conhecidos pelos caçadores de tartufo da região e a quantidade de tartufo encontrada em cada dia de caça. Ele gostava de caçar à noite, quando não havia ninguém pelos bosques, e quando encontrava algo, como todo tartufaio que se preze, dizia que encontrava pouco tartufo, quase nada.

Mas, na verdade, ele era mesmo um dos melhores, senão o melhor da sua época, porque se observarmos as linhas da sua caderneta, onde ele mantinha um registro do peso das trufas, vamos descobrir que durante a alta temporada ele chegava a encontrar de 14 a 15 quilos por mês! !!

A descoberta do tartufo

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o seu vanghino (instrumento para retirar o tartufo) e a balança

No dia 26 de Outubro de 1954, Arturo Gallerini, depois de horas e horas de caminhada com seu fiel cão chamado Parigi (seria Paris em português), encontrou na localidade de Saccuccio de Balconevisi, sempre município de San Miniato,  um tartufo tão grande, tão grande, que parecia uma criança, um bebê pelo seu tamanho, ele chegou a ficar mais de 1 hora para tira-lo da terra, um verdadeiro “parto”!

Lembrou logo do padre da cidade, que durante as suas conversas sobre tartufo, outra paixão do sacerdote, dizia:

“Arturo, o tartufo não é algo cultivado, não é um fruto da terra! É como um parto da terra! “.

É incrível, mas, para retirar o tartufo corretamente, deve-se ter cuidado para não arrancar as raízes das plantas, e não destruir aquele ambiente, para que no próximo ano, se encontre ali um novo tartufo.

Ele foi logo pra casa porque queria pesar o tartufo, e, trêmulo de emoção, tirou do saco de pano e colocou na balança a sua descoberta. Ao colocar na sua balança, não acreditava o quanto ele deveria subir e subir o pino da balança… era sim, era um tartufo recorde… due chili e diciotto tacche, ou seja, 2 quilos e 18 tacche (medida antiga dos agricultores italianos), portanto 520 gramas.

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Ele então escreveu na sua caderneta:

“Giorno 26 otto. kg 2 – 18 tacche
 Trovato in Vallina”

Até hoje é conservada a sua balança e seus instrumentos pela família, veja foto no texto acima.

Ele escreveu na caderneta, mas seu segredo deveria permanecer ali, escrito, pois como todo bom tartufaio, ele escondeu a descoberta, e foi procurar um dos seus compradores. O comprador era da família Morra, da cidade de Alba, famosa hoje pelo seu tartufo, que pagou não somente um valor alto pelo tartufo, mas, sobretudo, pelo silêncio de Arturo. Porque, como comerciante que era, queria levá-lo à sua terra, como tartufo de Alba.

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Então, o maior tartufo do mundo foi levado à Alba, apresentado como tartufo da região e, com todo marketing, que já naquela época existia, a cidade de Alba doou ao então presidente dos Estados Unidos em visita ao local, Dwight D. Eisenhower, o tartufo de 2 quilos e 520 gramas, que foi notícia em todo mundo, e assim fazendo a fama daquela cidade.

Na verdade a história do tartufo recorde nunca foi um mistério em San Miniato, já ouviu aquele termo: “conto o milagre, mas não conto o santo”? Pois bem, todos na cidade tinham certeza que o tartufo que saiu nos jornais era da sua terra, já que essa compra e venda era muito comum, mas não sabia quem e nem como.

A descoberta da estória

Muitos anos se passaram desde que o tartufo saiu de San Miniato, e essa história estava cada vez mais sendo esquecida quando, por um fato do acaso, tudo vem à tona.

A Letizia, amiga da autora deste blog, uma tartufaia e professora de culinária, e filha de um tartufeiro, casa-se com o Marco (foto), neto de Arturo Galerini, por um dos acasos dessa vida.

E, assim, essa caderneta acaba nas mãos do presidente da associação dos tartufeiros que descobre a anotação e torna pública a história toda. Essa família maravilhosa, que eu tenho a sorte de conviver, ama tanto a sua terra e a sua história, que não deixou morrer e esquecer esse curioso fato.

Em 2012, depois de um concurso, foi construída em San Miniato uma estátua em homenagem a este brilhante tartufaio, Arturo Gallerini, uma obra de ferro batido, realizada pelo campeão de ferro batido, que era de San Miniato, Massimiliano Benvenuti.

a estátua

a estátua

epigrafe

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E é essa a história do maior tartufo do mundo, e do seu caçador Arturo Gallerini, e, claro, não podemos esquecer que o tartufaio foi somente o “parteiro”, mas quem realmente deu a luz foi a natureza… e tem também o Parigi, o cãozinho que o farejou, que não podia ser esquecido, tanto que foi representado na estátua.

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