A melhor maneira de conhecer a Toscana … de verdade!

04/mar | por Deyse Ribeiro

Este texto hoje, sai do fundo do meu coração, no dia que este site comemora 5 anos de existência. Porque ele nasce para que você descubra … a melhor maneira de conhecer a Toscana!

Toscana é uma das mais belas regiões de Itália, com cidades medievais, cheias de lindas colinas repletas de vinhedos que produzem alguns dos melhores vinhos do mundo, uma paisagem encantadora de vinhas e de ciprestes. Há muitas coisas para ver e fazer na região, a parte mais difícil é escolher.

A capital Florença, berço do Renascimento, tem uma alta concentração de arte e história em suas ruas, igrejas e praças. Você não precisar entrar em um museu para ver obras de arte que marcaram a história da humanidade. Quem caminha pela cidade passeia por séculos e séculos de história. Afinal, sua história ficou para sempre ligada a nomes como Dante Alighieri, Maquiavel, Michelangelo, Botticelli e Leonardo da Vinci.

Explore também o interior da Toscana. Pisa, por exemplo, foi, desde os tempos do Império Romano, um importante porto do Mediterrâneo. Depois, como cidade-estado independente, tornou-se uma das famosas Repubbliche Marinare (repúblicas marítimas) italianas e chegou a ser tão importante quanto Gênova, Veneza e Amalfi. As magníficas obras arquitetônicas de Pisa são da época do apogeu de sua riqueza e glória, quando ela tinha terras na África e na Ásia. Naquele tempo, correspondente ao final da Idade Média, Pisa teve tantos e tão influentes artistas que deu nome a um importante estilo: o pisano, uma espécie de românico com reflexos islâmicos. Pisa é uma fascinante cidade, com fachadas em mármore policromado, elegantes ruas ao longo do rio, museus repletos de obras-primas dos mais altos padrões, comemorando o esplendor desta venerável república naval. Pisa tem muito mais além da Torre… eu juro para você, mas você tem que querer conhecer e não só tirar a foto da torre, combinado?

 

Lucca é outra pequena cidade encantadora. Fechada dentro de enormes muralhas renascentistas que hoje se tornaram um parque. A dica é alugar uma bicicleta para explorar e visualizar a cidade de todos os ângulos. Dê um passeio pelo centro histórico da cidade, vá ver o Duomo, a forma oval peculiar da Piazza dell’Anfiteatro e suba ao topo da torre de Guinigi com as suas curiosas árvores centenárias!

Mas não dá para ir a Toscana sem fazer um roteiro incrível pelas vinhedos e conhecer as vinícolas que fazem o famoso vinho Brunello di Montalcino e do Vino Nobile di Montepulciano. Na minha opinião, a melhor forma é fazer um tour diretamente com os proprietários das vinícolas, que explicam como fazem o vinho e, claro, realizam uma degustação mais apurada. Porque ouvir de quem faz é beeem diferente de ouvir de quem só aprendeu o texto.

 

Montalcino, por exemplo, é a cidade do vinho Brunello, um vilarejo imerso na paisagem deslumbrante. Um curiosidade histórica é que ele é o primeiro vinho na Itália a obter a Denominação de Origem Controlada e Garantida, DOCG, e em todas as suas garrafas são fechadas com um selo numerado, como uma garantia da sua qualidade e autenticidade.

O Chianti é uma outra região vinícola muito extensa na Toscana, é um território poético, com um vinho excelente, e que te traz uma emoção única. O espetáculo começa percorrendo a antiga estrada cheia de vinhedos com paisagens de cartão-postal, o clássico cipreste que faz de sentinela ate Greve in Chianti.

Volterra, a cidade que tem 3 eras em uma, é uma das que mais tem um pedacinho no meu coração! Com uma porta etrusca (IV séc. a.c.), um teatro romano e um centro medieval é uma das mais lindas e pouco exploradas… guarde este segredo!

conhecer a Toscana – maremma

Vamos falar de praias? E aqui quem ganha é o belo mar da Maremma, as pequenas cidades, a paisagem agrícola e montanhosa, sítios arqueológicos e o Parque Natural da Maremma. O mar da maremma é sem dúvida, o mais bonito da Toscana, com amplas praias e a possibilidade de fazer passeios de barco para as ilhas vizinhas do arquipélago toscano (Elba, Giglio, Capraia, Montecristo, Pianosa, Gorgona e Giannutri) dos portos de Piombino e Porto Santo Stefano.

Os burgos ali são de dois tipos: os que surgem ao mar e os que estão no topo das colinas. Entre os que surgem ao mar, vale a pena visitar Orbetello, que é completamente rodeado pela lagoa do mar, e as cidades de Porto Santo Stefano e Porto Ercole, onde é possível admirar um belíssimo por do sol sobre o mar. Entre as cidades do monte que você deve visitar, estão o pequeno vilarejo de Bolgheri, famosa pelos seus vinhos e com uma maravilhosa via (rua) com ciprestes, ainda Castagneto Carducci, a belíssima Massa Marittima, com suas paredes bem preservados e imponente catedral medieval, a graciosa Suvereto com seu famoso festival medieval, e pequeninas cidades que guardam uma cultura imensa como Scansano, Pitigliano, Sorano, Montemarano e Magliano.

Uma mescla do prazer sensorial de ótimos vinhos e excelente gastronomia com o prazer estético de paisagens de grande beleza e cidades belíssimas de riqueza cultural invejável, fazem da Toscana o dos locais mais interessantes do planeta… ao menos pra mim!

Experimente a Toscana! Não veja através das fotos!

Não deixe a moda do selfie fazer com o que você perca de vista a real razão de viajar… descobrir! Erga a cabeça e os olhos, admire as arquiteturas, as cores, o som e claro… a comida! Muito se aprende de uma sociedade, entendendo como eles se relacionam com a comida, imagine que a italiana ainda mais!

O mais interessante ao visitar a Toscana é poder aproveita-la e conhece-la realmente, com suas história, ter contato com a gente local, sentar e beber um vinho com o dono da vinícola, aprender com uma verdadeira “mamma” como fazer a massa, visitar uma fazenda de queijos,  andar pelas vinhas e descobrir as diferenças de uvas, caçar trufas, ou seja ter a oportunidade de ter experiências únicas para a vida.

Nem sempre uma viagem nos permite essa possibilidade, às vezes por tempo curto, falta de planejamento na viagem, etc. Por isso planejar a viagem é algo essencial para poder conseguir ter uma experiência autêntica e na Toscana elas são ainda mais fáceis, basta definir como regra – e essa é a minha dica –  procurar uma experiência  que faça você viver a “dolce vita italiana”.

conhecer a Toscana?

Escolha um turismo slow, nada de mais de 2 cidadezinhas por dia, caminhe, levante a cabeça, repare os palácios, as pinturas, planeje os horários de aberturas e fechamentos de museus, restaurantes, ou se deixe guiar por quem conhece. Eis algumas “aventuras essenciais”:

  • visitar uma vinícola com o proprietário. E sim, aqui o melhor vinho se encontra nas vinícolas que você não conhece… porque? Porque são pequenas que a produção não é suficiente para ser importada e o dono não quer fazer mais do que ele pode produzir, respeita a sua terra e as suas raízes.
  • visita uma fazenda de queijos e descubra os sabores do queijo pecorino (feito à base de leite de ovelha)
  • aprenda a fazer a massa fresca, se possível com uma “verdadeira mamma” ou em uma pequena fazenda
  • vá com um tartufaio (caçador de trufas) procurar esse diamante da culinária italiana que pode custar 4.000 euros o quilo, junto com o seu cãozinho
  • aproveite a sua viagem para conhecer uma festa medieval, folclórica, e divertida para compreender a cultura forte e viva da Itália como o Giocco del Ponte (jogo da ponte de Pisa),  o Palio di Siena (corrida de cavalos), o Bravio delle Botte (corrida de barris de vinho) de Montepulciano, a Giostra del Saracino (corrida de lanças medieval) de Arezzo, e o Calcio in Costune de Florença (uma espécie de Rugbi arcaico).
  • visite os museus e conheça as obras renascentistas que fizeram a gloria dessa região e descubra a história e o que motivou os grandes arquitetos, escultores e descubra o porque essa região é a potência cultura que é hoje.

as cores da Giostra del Saracino de Arezzo

Ou seja, faça com que sua viagem pela Toscana não seja apenas uma viagem que você faz, mas uma viagem que leva você.

Descubra que a beleza não está nas coisas, nos palácios, nos castelos, mas nos olhos e no coração de quem vê. Não seja somente um turista, seja um viajante, um descobridor apaixonado…. faça com que sua viagem não acabe ao retornar em casa, mas continue no seu coração.

Uma viagem para ver como os outros vivem, como a vida segue numa cultura diferente da sua, e para perceber que dá sim, pra levar a vida mais alegre, mais humana, mais em contato com a natureza e com os alimentos frescos que a vida “corrida do dia a dia” nos mantém longe. Um ritmo de vida que no fundo, no fundo, todos nós desejamos e merecemos, mas que pouco conseguimos atingir.

Que o contato com uma nova cultura abra novos caminhos e novas fronteiras.

Faça uma viagem de experiência, para experimentar e viver la dolce vita italiana, e perceber que a relação com o local às vezes tem mais para nos enriquecer que as obras de arte penduradas num museu… porque o que encanta não é a obra em si, mas como a sociedade evoluiu para que ela tivesse ali…

Boa descoberta!



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