Você sabia que Pisa é uma “Pompéia naval”?

23/out | por Deyse Ribeiro

Neste domingo, visitei o “cantieri delle navi romane” em Pisa, ou seja, a área arqueológica onde foram encontrados os navios romanos e foi bem interessante.

Pisa não é apenas a cidade da Torre e da Praça dos Milagres, mas também a cidade dos “navios antigos”!

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Como foram encontradas os navios romanos?

Em 1998, durante um trabalho de construção de um edificio para a estação que seria um centro de controle da linha ferroviária, foram identificados nas escavações arqueológicas, antigos navios naufragados devido as inundações foram depositados na lama. Este local era onde se encontravam vários pequenos canais de rios, resultantes das centurizações (divisões de terreno cultivável na época romana) pisanas no Rio Serchio, e depois de uma série de desastrosas enchentes foram afundados ao menos 30 embarcações.

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área de escavações

As escavações estão cerca de 500 metros da Torre Pendente, uma descoberta que não tem paralelo na história da arqueologia naval (e talvez da arqueologia, dentro e fora da Itália).São cerca de 30 navios que datam do III séc. a.c. e VII d.c com suas cargas de jóias e utensílios, ânforas, moedas. Depois do VII século o porto foi definitivamente abandonado porque muito aterrado e se passou a usar o Arno como Porto Commercial.

Pisa, além deste Porto tinha um porto sobre o mar na atual localidade de Stagno de Livorno (antes conhecido como Porto Pisano), onde atracavam embarcações de grandes dimensões provenientes de todo o mediterrâneo.

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reprodução de uma embarcação pisana

 

Do Porto Pisano  (Stagno) eram transportas os produtos ás embarcações de média dimensão, de 15 a 16 metros, até o porto fluvial (onde ha a escavação), e com barcos de pequena dimensão, se transportava os produtos  nos mais variados territórios ao longo do Rio Serchio e Arno.

Como eles se mantiveram até hoje?

As embarcações, incluindo os navios e barcos de carga, estão perfeitamente preservados graças à situação particular, neste terreno ha uma forte presença de argila compacta ocasionando na total falta de oxigênio (sem oxigénio não há bacterias, fungos e outros micróbios que podem danificar a madeira) e a presença de aqüíferos subterrâneos.

Foi possível recuperar e identificar boa parte dessas naves e seus conteúdos como vasos e ânforas, e através de vários estudos se percebeu que a maioria dos navios vinham de várias partes do Mediterrâneo: Gallia, Campanhia e Adriático. Uma descoberta excepcional que equipara Pisa a uma Pompéia em versão marítima, com o único Laboratório de restauração de madeira molhada da Europa.

trabalho de restauração da madeira

trabalho de restauração da madeira

 

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Hoje

Foram criados percursos para que os turistas possam visitar as escavações durante o normal trabalho, permitindo observar as atividades de escavação, restauro e estudo em curso, além do Centro de Restauração de “madeira molhada”, onde são restaurados e preservados as muitas peças encontradas, incluindo materiais orgânicos recuperados a bordo dos navios. O único laboratório na Europa para o tratamento e recuperação de madeira molhada.

Os navios, uma vez restaurados, serão transportados para o Arsenal Mediceo, esperando assim a abertura do novo Museo delle Navi Romane até o final de 2016.

 

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Curiosidades

Curiosamente, entre os vários artefatos visíveis temos:

  • uma caixa de madeira com fechadura muito bem preservada

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  • uma ânfora com peixe conservado sob o sal

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  • esqueleto de um marinheiro e seu cão, na verdade, era normal ter cães de guarda em embarcações comerciais

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  • ossos do ombro de porco, mas somente a parte direita, porque naquela época, se acreditava que o presunto mais gostoso e assim, mais caro, era o do ombro direito do porco
  • moedas romanas de bronze, cerca de 150, que equivalia a 20 dias de salário de uma marinheiro. Portanto apesar de muitas, não eram de grande valor.
  • ampola com resina de pinho, pois ele era usado para cuidar das feridas, era um cicatrizante, e diluido na água, era óitmo para dor de cabeça e enjôo.
  • por fim, encontraram um navio com revestimento na proa de metal, coisa comum somente em navios de guerra. Portanto, provavelmente uma nave reutilizada para fins comerciais.

 

Quem quiser saber mais sobre as embarcações pisadas e sobre as escavações, deixo uma reportagem de uma tv italiana dentro da escavação:

 Informações: as visitas são realizadas somente nos fins de semana, com reserva obrigatória através do 055-5520407, ou  mail a turismo@archeologia.it valor €8,00 por pessoa.

Para saber onde fica, veja o mapa abaixo.



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Por Deyse Ribeiro
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