O Palazzo Vecchio de Florença: a história e o museu

22/nov | por Deyse Ribeiro

Neste post vou contar para vocês alguns detalhes e curiosidades sobre o Palazzo Vecchio, um dos lugares símbolo de Florença, localizado na Piazza della Signoria.

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O Palazzo Vecchio ou “Palácio Velho” de Florença, localizado em frente a Piazza della Signoria, é um dos marcos da capital da Toscana. Sua construção começou em 1299, obra de Arnoldo de Cambio, e terminou quinze anos mais tarde. Inicialmente, o palácio servia como sede da Signoria (por isso foi chamado de “Palazzo della Signoria“), o principal órgão do governo da República Florentina.

Com o governo dos Medici, o palácio tornou-se residência dos duques da Toscana. Cosimo I viveu lá por 10 anos, a partir de 1540, e foi então que grande parte do interior foi remodelado segundo os elegantes padrões do Renascimento. Quando Cosimo I de’Medici transferiu a sua residência para o Palácio Pitti, que se tornou o seu novo Palácio, o Palazzo della Signoria foi rebatizado de “Palácio Velho” ou Palazzo Vecchio.

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Entre 1865 e 1872, durante a luta pela unificação da Itália, o Palazzo Vecchio foi, por algum tempo, a sede do governo, a Câmara dos Deputados, e do Ministério das Relações Exteriores. Após a unificação, tornou-se sede da Prefeitura de Florença e da Câmara Municipal, e várias salas foram abertas ao público.

O Palazzo Vecchio por fora

O Palazzo Vecchio foi construído em estilo gótico medieval, uma mistura entre fortaleza e palácio. O que mais chama a atenção é a impressionante Torre de Arnolfo, com seus 94 metros de altura, a mais alta da cidade. Outro elemento importante da fachada são os brasões, os quais representam símbolos da República Florentina e seus aliados.

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Olhando para a forma cúbica e para as ameias do Palazzo Vecchio, é fácil imaginá-lo como a verdadeira fortaleza que ele era antigamente. De fato, o palácio foi construído em torno de uma das torres defensivas que as famílias nobres ergueram durante a Idade Média para se defender contra os frequentes ataques de cidades rivais e também de bandidos e saqueadores.

Juntamente com uma cópia de um dos ícones mais conhecidos de Florença, o Davi de Michelangelo, réplicas de duas obras de Donatello ficam na entrada principal: o Marzocco, o leão heráldico de Florença segurando o brasão da cidade, e uma estátua de bronze, Judite e Holofernes (o original fica dentro do Palazzo Vecchio, na Sala dei Gigli).

O que ver dentro do Palazzo Vecchio

Hoje dentro do Palazzo Vecchio funciona um museu onde estão expostas obras de arte dos grandes artistas da Renascença italiana. Também dá para apreciar os magníficos apartamentos dos Medici e as salas que antigamente recebiam as figuras mais potentes da Toscana.


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Salone dei Cinquecento

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O destaque do interior é o enorme primeiro andar onde fica o Salone dei Cinquecento (Salão dos Quinhentos), rico de afrescos de Vasari que retratam a história de Florença, com ênfase na grandeza de Cosimo I. Antigamente era ali que funcionava a Câmara do Conselho da cidade, onde se runiam os 500 membros (por isso o nome do salão). Ainda hoje este grande salão é usado para cerimônias governamentais e cívicas.

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O teto do Salone dei Cinquecento, que fica a 21m de altura, é decorado com 38 painéis ornamentados com alegorias e cenas da história de Florença e da família Medici. As paredes são revestidas com imensas pinturas que retratam os Medici e episódios da história da cidade. Entre todas, uma das obras mais impressionantes é o enorme afresco de Vasari, realizado em 1565 à pedido de Cosimo I que retrata a Batalha de Marciano alla Chiana, uma batalha muito importante na história da família Medici e de Florença em geral, que marcou a conquista da cidade de Siena.

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Curiosidade: Os soldados de Siena usavam diferentes bandeiras verdes, algumas doadas pelo rei da França, que as apoiava. Os versos de Dante que falam de busca da liberdade (Purgatorio, Canto I, 71-72), foram bordados em várias dessas bandeiras verdes, era um modo das tropas de Siena expressarem que estavam lutando para defender sua própria liberdade. Mas aqueles soldados de Siena, à procura de liberdade, ao invés dela encontraram a derrota. Esta era a mensagem sarcástica que Cosimo I queria expressar, e assim pediu a Giorgio Vasari para pintar as palavras “cerca trova” (algo como, procura acha) em uma bandeira verde. Tente achar essas palavras no afresco. Sem um binóculo ou um bom zoom, é impossível!

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Outro grande destaque do Salone dei Cinquecento é a escutura “o Gênio da Vitória”, de Michelangelo (1532-1534), que se destinava ao túmulo do Papa Júlio II, em Roma. É uma das obras mais finas do artista, mostrando seu domínio tanto em representar o movimento do corpo como em traduzí-lo em mármore.

Essa e outras histórias relacionadas à Michelangelo e o Palazzo Vecchio abordarei em outro texto, referente aos locais de Michelangelo em Florença, aguarde!

O Studiolo di Francesco I

Studiolo de Francisco I de Medici é também chamado de: o extraordinário “guarda-roupa de coisas raras e preciosas”. A construção do Studiolo, realizado entre 1570 e 1575 pelo arquiteto e pintor da corte Giorgio Vasari e pelo estudioso Vincenzo Borghini, foi encomendado por Francesco de ‘Medici, que em 1564 tinha sucedido seu pai Cosimo I no guia do ducado Toscano como regente.

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A pequena sala fazia parte dos aposentos privados do Duque e era acessível apenas a partir do quarto no lado oposto ao da ligação com o Salone dei Cinquecento, e descoberto somente no século XIX. Tanto a posição quanto a forma refletem os padrões deste tipo particular de ambiente, comum em palácios de príncipes desde a Idade Média e usados, além do estudo, para acolher os objectos mais preciosos, e pequeno tamanho das coleções familiares, que os proprietários mostraram apenas os hóspedes especiais.

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O Quartiere Elementi

O Quartiere degli Elementi é um apartamento projetado em meados dos anos 1550 por Cosimo I de ‘Medici e Giorgio Vasari, como um equivalente florentino aos Quartos de Rafael do Papa Leão X, no Vaticano em Roma. Foi o início de uma longa e frutífera relação entre o Granduque e o homem que se tornaria seu principal artista e arquiteto.

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Cada quarto do Quartiere Elementi é dedicado a uma variedade de seres celestiais – desde os elementos personificados (ar, água, terra, fogo) até os Titãs (Saturno,  Opis – versões romanas de Cronos e Reia) e os deuses Jupiter, Juno) aos semideuses e às musas (Hercules, Calíope).

Acada um desses ambientes corresponde, no andar de baixo baixo, uma sala de mesmo tamanho dedicada a um personagem ilustre da família Medici. Esta sobreposição exaltaria as glórias e as virtudes dos “mortais” da famílica Medici, estabelecendo uma ligação entre a ascensão ao poder da dinastia e as origens dos “seres celestiais”.

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De Quartiere degli Elementi, saia para o terraço de Loggiato di Saturno para apreciar a vista de Florença, aberto no verão.

Apartamentos dos Medici

Eleonora di Toledo - quadro de Bronzino, que fica no Uffizi

Eleonora di Toledo – quadro de Bronzino, que fica no Uffizi

No segundo andar ficam os ricamente decorados salões, incluindo os aposentos privados da esposa de Cosimo e Eleonora de Toledo, ambientes que nos dão uma visão intrigante sobre como a classe dominante da Florença renascentista vivia.

Há muitas obras de Vasari e outras de Ghirlandaio e Donatello, além das lindas e coloridas pinturas de Bronzino, especialmente na capela de Eleonora, uma capela privada da duquesa. Os afrescos nos tetos e em outros lugares de suas salas retratam cenas da história e da mitologia.

Os aposentos de Eleonora são compostos pelos seguintes ambientes: Sala Verde, a Capela da duquesa Eleonora, o Escritório, Sala das Sabinas, Sala de Penélope e a Sala Gualdrada.

Na Sala Verde permanecem as decorações originais do teto com afrescos realizados por Ridolfo Ghirlandaio entre 1540 e 1542. Nesta sala há uma pequena porta, normalmente fechada, que leva para o corredor suspenso que liga o Palazzo Vecchio a Uffizi. Anexo à sala verde fica o Escritório Eleonora, uma pequena sala com um teto decorado com figuras grotescas.

Ao lado da sala verde fica uma das obras-primas do maneirismo florentino: a capela de Eleonora. As pinturas da capela, realizadas por Agnolo di Cosimo Bronzino, celebram os Medici através do tema da morte de Cristo para a salvação do homem e representam o trabalho mais importante do artista. Nas paredes há três afrescos que ilustram histórias ligadas a Moisés. No centro da parede frontal fica o retábulo que ilustra a Deposição de Cristo, os lados são dois painéis com a Anunciação. O teto da capela é decorado com afrescos que retratam o apocalipse.

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Nas quatro salas seguintes as decorações representam as virtudes da duquesa, e as pinturas no teto foram realizadas por Giorgio Vasari e Giovanni Stradano. Na Sala das Sabinas se exalta as virtudes femininas da mediação. A sala de Esther reforça o papel de duquesa de Eleonora de Toledo. Na Sala de Penelope a pintura no teto representa Penelope no tear e descreve o papel das mulheres no que diz respeito às tarefas domésticas. Na sala de Gualdrada é exaltada a pureza feminina através do episódio de Gualdrada que se recusa a beijar o imperador Otto IV.

Na foto, afresco da Capela de Eleonora, veja o autor Bronzino, no detalhe da foto, com roupa e capuz azul. Eleonroa é a mulher grávida sobre ele.

Na foto, afresco da Capela de Eleonora, veja o autor Bronzino, no detalhe da foto, com roupa e capuz azul. Eleonroa é a mulher grávida sobre ele.

Sala dei Gigli

A Sala dei Gigli, que leva o seu nome por causa dos motivos florais que decoram o teto e as paredes, é o único do salão Palazzo Vecchio que ainda preserva o aspecto original do século XV. Nesta sala está exposta a estátua de bronze de Judite e Holofernes, uma obra-prima de Donatello (Donato de ‘Bardi, conhecido como Donatello). A escultura foi realizada entre 1457 e 1464.

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O teto é decorado com imagens de lírios em um campo azul. Os lírios são em honra do rei da França o protetor da República Florentina. Há também na sala uma bela porta com gravada uma imagem de Dante e Petrarca.

Sala das Cartas Geográficas

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Não deixe de ver a sala das cartas geográficas, ou do guarda-roupa (Guardaroba). As quatro paredes da sala são revestidas com armários que a família Medici usava para proteger seus bens preciosos. Mais tarde, as portas foram decoradas com 53 mapas pintados a óleo, segundo o conhecimento geográfico da Terra no século XVI. Os autores seguiram o sistema ptolomaico para o movimento das estrelas, mas eles usaram nesses mapas o novo sistema cartográfico Mercator.

No seu centro da sala há um Mapa Mundi de meados do século XVI, uma esfera de quase dois metros que, na época, era o maior do mundo!

Dica: uma das portas dá à sala secreta da amante, e depois mulher de Francesco I!

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Quartiere Mezzanino e a coleção Loeser

As salas do Mezzanino ficam entre o primeiro e o segundo andar, no núcleo mais antigo do palácio. Antes da instalação dos Medici no palácio, elas eram sedes de importantes Conselhos. Em seguida virou a residência do gonfaloneiro Piero Soldini. No período ducal passou a ser os aposentos da mãe de Cosimo I de ‘Medici e, em seguida, dos irmãos da duquesa Eleonora, Don Francisco e Don Luis de Toledo. Após a transferência da corte dos Medici para o Palazzo Pitti, foi gradualmente sendo ocupado pelo guarda-roupa e seus acessórios.

Collezione Loeser Alonso Berruguete - Madonna col bambino e san giovannino. Foto Wikipedia Commons

Collezione Loeser Alonso Berruguete – Madonna col bambino e san giovannino. Foto Wikipedia Commons

Desde 1934 os ambientes do Quartiere Mezzanino hospedam a coleção Loeser, que reúne mais de trinta obras de arte e mobiliário antigo que o colecionador americano Charles Alexander Loeser deixou para a cidade de Florença em seu testamento, com a intenção de contribuir para a reconstrução de ambientes antigos de Palazzo Vecchio que, na época, a cidade ainda estava esperando.

Vale a pena dar uma passadinha lá para admirar as esculturas e pinturas que remontam ao período entre os século XIV e XVI, especialmente dos artistas da Toscana. Há obras de Giambologna, Lorenzetti, Bronzino, e em particular a Paixão de Cristo pintada por Piero di Cosimo.

A Torre de Arnolfo

Do Ballatoio, no andar dos apartamentos privados, você pode subir 233 degraus até a galeria lá no alto da torre para observar o lindo panorama da cidade. No caminho, escada acima, você vai passar pelo Alberghettino, uma prisão conhecida como o “pequeno hotel”, onde Cosimo o Velho foi mantido em 1433 antes de ser exilado e onde Savonarola ficou preso em 1498, antes de ser mandado para a fogueira. A torre, com a sua forma quadrada e parapeito alargado no topo, é um símbolo famoso de Florença e tem sido imitado em igrejas e outras torres em todo o mundo desde então. É a parte a mais adiantada do palácio, começada em 1299 na base de uma torre medieval.

na imagem, as duranças no decorrer dos séculos, do Palazzo Vecchio Imagem: Muse Firenzi

O relógio que se destaca base da torre é a obra do relojoeiro alemão Georg Ledel e foi realizado em 1667, embora tenha sido restaurado no século XIX.

No alto da torre fica um indicador da direção do vento, caracterizado por um leão empinado e um lírio, os símbolos de Florença (na verdade de trata de uma cópia, o original fica em um pátio do palazzo).

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Curiosidade: À noite, quando é hora de fechar o palácio, às vezes os porteiros escutam alguns passos, mas não conseguem ver ninguém. Dizem que há vários fantasmas no Palazzo Vecchio!

As escavações do Teatro Romano

na imagem: desenho de como era o teatro romano e o desenho em preto, é onde hoje esta posicionado o Palazzo Vecchio sobre os restos arqueológicos do teatro. Imagem: Muse Firenze

na imagem: desenho de como era o teatro romano e o desenho em preto, é onde hoje esta posicionado o Palazzo Vecchio sobre os restos arqueológicos do teatro. Imagem: Muse Firenze

Quem visitar escavações arqueológicas no subsolo do Palazzo Vecchio poderá observar algumas partes do Teatro Romano da antiga cidade romana de Florentia. Estima-se que o teatro de Florentia tinha uma capacidade para 8.000 ou 10.000 espectadores. Suas ruínas, de fato, abrangem uma grande área sob o Palazzo Vecchio e o Palazzo Gondi, com a platéia voltada para a Piazza della Signoria e o palco ao longo da Via dei Leoni.

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Algumas dicas

  • Dedique pelo menos umas duas horas à visita do Palazzo Vecchio e da torre.
  • Em caso de chuva, a torre não abre.
  • Crianças menores de seis anos não são permitidas na torre, e os menores de 18 anos devem estar com um adulto.
  • A subida na torre não é aconselhável a quem tem problemas cardíacos, respiratórios, medo de altura ou claustrofobia.
  • a máscara funerária de Dante Alighieri, tanto falada no livro do Dan Brown, Inferno, esta no Palazzo Vecchio, na sala anterior aos Quartos de Eleonora.

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Informações

Horários de funcionamento do Palazzo Vecchio:
De outubro a março
Todos os dias exceto às quintas: 9-19
Quinta-feira: 9-14
De Abril a Setembro
Todos os dias às quintas: 9-23
Quinta-feira: 9-14
TORRE
De outubro a março
Todos os dias exceto às quintas: 10-17
Quinta-feira: 10-14
De Abril a Setembro
Todos os dias exceto às quintas: 9-21
Quinta-feira: 9-14
Bilhetes
Museu: 10 euros (inteiro) / 8 euros (pessoas entre 18 e 25 anos) / grátis para os menores de 18
Museu + percurso arqueológico: 14 euros (inteiro) / 12 euros (pessoas entre 18 e 25 anos) / grátis para os menores de 18
Torre de Arnolfo + caminho nas torres de observação: 10 euros (inteiro) / 8 euros (pessoas entre 18 e 25 anos) / grátis para os menores de 18
Combo Museu + Torre de Arnolfo + caminho nas torres de observação: 18 euros (inteiro) / 16 euros (pessoas entre 18 e 25 anos) / grátis para os menores de 18

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